julho 23, 2009

INBRAPI/NUMIN e o Desenvolvimento Indígena sob perspectiva de gênero




Eliane Potiguara



Desenvolvi­mento é o que todos e todas queremos. No entanto o modelo de desenvolvimento social contempla muito mais aos homens do que às mulheres na sociedade. Trabalhar com estratégias para formação de gênero é desafiar as relações desiguais entre homens e mulheres. Na questão indígena não é diferente, tanto no campo de ação, na família ou não, como também no campo organizacional e institucional. A formação de gênero é uma das estratégias usadas para promover a justiça de gênero dentro das organizações de desenvolvimento. Tal formação baseia-se na convicção de que intervenções em forma de projetos ou programas de desenvolvimento podem resultar em transformações sociais para povos indígenas. Formação de gênero neste caso pretende atingir justiça de gênero incorporando uma perspectiva de gênero a todos os níveis de análise e planejamento do projeto ou programa de uma organização indígena, por exemplo.

A formação de gênero pode também ser considerada num contexto mais amplo. Nesta perspectiva, a formação de gênero segue uma abordagem holística ou cosmovisionária e está baseada na experiência de mulheres e homens e tem explicitamente como objetivo o fortalecimento do poder das mulheres num sentido mais amplo do que projetos e programas de desenvolvimento atuais. Por essa razão o INBRAPI (Instituto Indígena Brasileiro para a Propriedade Intelectual) ao longo de nossos quase seis anos de existência, preocupou-se em oferecer essa forma de discussão e organização dentro de nossos programas e objetivos institucionais. E resultou na formação de um núcleo que atenda especificamente às inquietações das mulheres indígenas. Por essa razão no ano de 2008, nasceu o Numin ( Núcleo de Mulheres Indígenas do Inbrapi) e após reuniões e decisões, a cadeira coordenadora ficou sob a minha gestão, devido a um trabalho anterior de quase 30 anos dentro do GRUMIN e que continua até hoje.

À mulher, cabe o papel de transmitir a cultura do dia-a - dia e mais. transmitir o aspecto da ancestralidade que é o diferencial mais importante para uma cultura. E a mulher por ser mais visionária que os homens e ter negado alguns vícios do colonizador e neo-colonizador, guarda a sete chaves, muitos aspectos culturais e cósmicos de seus avós, bisavós e tataravôs. No passado, a mulher possuía ainda o poder da determinação política, a palavra final nas Assembléias. Com a presença dos estrangeiros os homens colocaram suas mulheres na retaguarda ético-cultural, para defendê-las. Há casos, no século XVI, onde homens levavam toda a sua família ao suicídio coletivo, onde todos pulavam do alto de rochas, para não serem submetidos à escravidão. Dessa retaguarda muita mulheres indígenas não saíram.

A Educação formal indígena cumpre o papel da transmissão da cultura, por isso se lutou muito para o estabelecimento de uma educação verdadeiramente indígena e voltada para a realidade, uma educação diferenciada. Antes a educação formal passava pelos moldes da sociedade não indígena. Hoje existe um avanço e políticas públicas para isso. A maioria dos professores é indígena e sensibilizada dentro de sua cultura. Esse aspecto está mais avançado do que uma política pública para saúde e direitos reprodutivos. Urge que os congressos, conferências, seminários indígenas introduzam esse tema efetivamente nas pautas de discussão, mas não vemos isso, parece que não é relevante. Venho observando várias pautas e o tema mais geral é sobre direito à terra, desenvolvimento, propriedade intelectual, o que é corretíssimo, mas especificamente, não vejo essa discussão tão fortalecida e o INBRAPI a partir de agora aceita esse desafio. O desafio é discutir milhares de temas, mas incluindo a transversalidade de gênero.

O I Censo Escolar Indígena de 2001 mostrou que há mais professores do que professoras, eles representam 65% do total. O que isso indica? Indica que a participação das mulheres indígenas ainda está aquém. Percebi isso há 20 anos, quando conversava com líderes indígenas e professores. É preciso resgatar a originalidade inicial da mulher indígena antes do processo colonial. Ela tinha a decisão sobre problemas políticos, tinha a última palavra. Sabemos que a solidão das mulheres indígenas começou com a migração por ação violenta aos seus povos. O número de meninos nas escolas também é maior. Existe resistência à educação formal das meninas? Sim, as mulheres foram alvo de perseguição masculina desde o processo de colonização. Eram arrancadas do seu povo para servirem de concubinas e escravas aos estrangeiros. Essa responsabilidade é da política integracionista que paternaliza os povos indígenas até hoje. Mas quando nosso movimento pela conscientização da mulher indígena começou a causar polêmicas, a partir de 1979, o processo foi questionado. As meninas indígenas entram para a escola mais tarde do que os meninos. Precisamos mudar isso.

Só com capacitação, seminários, grupos de estudos, organização de oficinas teóricas e práticas entre jovens e líderes masculinos e femininos poderemos implementar uma ação coletiva que caminhe para a igualdade de gênero entre povos indígenas. O NUMIN inicia esse processo, já junto à Comissão Executiva formada em 5 de agosto de 2008 rumo ao Fórum Nacional da Mulher Indígena 2010.

*Eliane Potiguara é professora, escritora, articuladora indígena, 58 anos, autora do livro “METADE CARA, METADE MÁSCARA”, editado por Daniel Munduruku (www.elianepotiguara.org.br)

Veja também www.grumin.org.br ( site institucional )

veja também o blog do FÓRUM NACIONAL DA MULHER INDÍGENA: http://mulheresforteseunidas.blogspot.com/ (mulheres fortes e unidas!)

julho 17, 2009

Favelativa e Serra FM Lança Radio Comunitária no JD Vitória






Operando em 95.1, a Associação Rádio Comunitária VITORIA FM, esta a três mezes no ar com uma cobertor local a radio comunitária suje com o objetivo de
Prestar serviços de Radiodifusão Comunitária operando em FM (Freqüência
Modulada) na sintonia de 95,1 Mhz, baixa potência, dando ampla divulgação aos serviços prestados para a comunidades, agindo como instrumento de fomento da cultura local.

Fortalecendo a preservação e divulgação da cultura popular e do meio ambiente, conscientizando a comunidade em geral para exercer sua cidadania, garantir a livre expressão e informação popular, alem de contribuir com a luta pela democratização dos meios de comunicação na sociedade pela democratização da informação e pela instituição do Direito de Comunicar.

Juntos com outras instituições promover atividades educacionais, de formação e integração da comunidade, estimulando o lazer, a cultura e o convívio social.
Esta e Associação de Radio Comunitária Vitória FM a serviço da comunidade..Favelativa e Serra FM incentiva e investi na Associação Rádio Comunitária VITORIA FM por acreditar no trabalho comunitário e nas novas lideranças que estão a frente da radio. Queremos que a radio atue como parceiros e não como nossa propriedade só estaremos dando o suporte necessário para que logo poção seguir sua própria caminhada fortalecendo as rede de movimento sociais nas favelas. [Para isto foi fundamental a colaboração da Serra FM através do seu diretor Moizes Franz que esteve presente em todas as etapas e acreditou no Vitória FM].

Se estivar passando pela região sintonize 95.1 Vitória FM.

Diretoria da radio:
PEDRO DA SILVA OLIVEIRA– CARLINHO RODRIGUES -MARLENE RODRIGUES DA SILVA – JEVERSON NEVES DA CRUZ – ALDECIR ALVES COELHO.

Contatos: (65) 3641-3504/ 9602-1517
E-mail: vitoriafm.cba@gmail.com

julho 16, 2009

Morador do Jardim Vitória e coordenador do Favelativa reclama de transtornos nas obras do PAC.



Fonte: Secom CâmaraCbá

Convidado pelo vereador Lúdio Cabral (PT), o representando do Movimento Favela Ativa, Adnilson da Silva Lara (DJ TABA), fez uso da tribuna livre na sessão desta quinta (16) com o objetivo de chamar atenção dos parlamentares para as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no bairro Jardim Vitória e região. Ele afirma que as obras estão causando transtorno aos moradores e pede que os vereadores ajam no sentido de serem concretizadas o mais breve possível.

Um dos problemas citados pelo morador é quanto o acesso ao bairro, como os trabalhos são de saneamento integrado e urbanização, ele afirma que as obras não estão sendo finalizadas da forma correta. “Eles abrem os buracos pra colocar as manilhas e na hora de fechar não fazem o trabalho direito, o que faz com que os buracos ao invés de fechados aumentem dificultando assim o acesso ao bairro”, disse. Devido à dificuldade de acesso os as viaturas e caminhões de lixo não entram mais no bairro, o que gera problemas relacionados a segurança e saúde pública.

Segundo Adnilson o transtorno é conseqüência da falta de planejamento. “Se tivessem planejado da forma correta antes de iniciarem as obras, os moradores não teriam tantos problemas”. As obras do PAC na região do Jardim Vitória iniciaram em julho de 2008 e os trabalhos ainda não foram finalizados.

O favelativa esta e é a comunidade não podemos fechar os olhos para as dificuldades que estamos passando, por isto sempre utilizaremos destes espaços para reivindicar aquilo que nos e de direito fala o morador.

Deputado estadual Alexandre César destina emenda para reforma do Centro Cultural e Profissionalizante JD Vitória.



Em reuniam com o deputado coordenadores do Favelativa apresentaram o projeto que prevê diversos cursos de formação cultural e profissional alem da implantação de uma radio comunitária no local a Vitória FM,também será implantado o banco do povo que possibilitara a circulação de uma moeda solidária projeto este que já conta com a parceira da UFMT e coletivo Espaço Cubo.O local também prevê semanalmente a Feira da Troca onde pessoas poderão trocar seus produtos de valores diversos estimulando o escambo e com isto aumentando sua renda familiar.


O Procurador do Estado e deputado Alexandre Cesar garantiu um emenda parlamentar que possibilitara e reforma do local que fica na avenida B, em frente ao Centro Comunitário do Jardim Vitória.
O lugar estava a oito mezes servindo de ponto de consumo de droga e prostituição prejudicando assim todos os moderadores da comunidade. A ocupação esta sendo feita em acordos com antigos proprietários que sem condição de continuar os trabalhos com a creche filantrópica se virão abrigados a flechar as portas, sendo assim ela mesma a comunidade através do movimento Favelativa e associação de moradores assumirão o local.


Trabalhos como estes e fundamental que o poder público tem sensibilidade de incentivar e potencializar, pois não e imposto e a comunidade para a comunidade diz o deputado.
Ligia Viana da coordenadenação Favelativa agradecer o parlamentar que acredita no nosso trabalho, estamos apenas começando e temos muinto a fazer e para isto contamos com a parceria de todos.

FAVELATIVA – criado em 2008, com objetivo de promover o desenvolvimento humano nas comunidades da região do bairro jd. Vitória. Promovendo ações e atividades voltada para a educação cultural politização e a valorização do ser humano dando-lhes oportunidade de construírem nova caminhada.

NUCLEU DE PESQUISAS TEATRAIS

CLIK NO PANFLETO:

A Cia. Pessoal de Teatro, antigo grupo teatral As Bacantes, nasceu em 2001, em Ouro Preto, com o espetáculo Primeira Pele. A Companhia se mantém em constante aprendizado baseando-se na pesquisa do olhar único de cada espectador. As teorias da cena contemporânea do teatro e experiências antropológicas dentro de diferentes estéticas, buscando fundir várias correntes e segmentos artísticos, formam a mistura criativa da Pessoal.

Oficina de Gestão e Documentação de Acervos Museologicos

clik no panfleto:

julho 10, 2009

Jovens de Periferia Buscam Parceiros Para Reforma e Estruturação de Prédio Abandonado.


Por:Por: Keka Werneck (9922-9445)
Jovens moradores do bairro Jd Victoria periferia de Cuiabá saem busca de parceiros para reforma e estruturação de prédio abandonado, para transformá-lo em centro cultural e profissionalizante.

O prédio abandonado, que fica na avenida B, em frente ao Centro Comunitário do Jardim Vitória. Esta a oito mezes servindo de ponto de consumo de droga e prostituição prejudicando assim todos os moderadores da comunidade, sendo assim ela mesma a comunidade através do movimento Favelativa decidem ocupara e tomar para si o que e
dela mesma já que se trata de um prédio publico abandonado pela antiga administração que tocava uma creche para atender crianças da comunidade.

“Queremos que um prédio abandonado seja utilizado como centro profissionalizante e centro multicultural no bairro Jardim Vitória, periferia de Cuiabá”, explica Adnilsom da Silva (DJ Taba), um dos coordenadores do Movimento.

Favelativa é um coletivo de crianças, adolescentes e jovens de periferia, que se unem para construir e reconstruir a vida, refletindo sobre as dificuldades atuais e buscando saídas juntos. O Movimento também forma para a cidadania e politização de seus integrantes.

O prédio em questão é da Igreja Presbiteriana que já concordou em cedê-lo à Associação de Moradores e Favelativa, mas, como estava abandonado, precisa de infra estrutura e reforma.
foto do espaço cultural.


“O que queremos chamar, por meio da imprensa, é justamente a atenção de possíveis parceiros”, explica Ligia Viana da coordenação Favelativa "Estamos em busca de quem acredita, assim como nós, no poder da construção de uma vida melhor para aqueles que estão à margem da sociedade. Estavam porque não estamos mais, estamos mudando isto com iniciativas como esta. Queremos fazer deste lugar um lugar de esperança e de conquista de dias melhores para novas gerações, com cultura, lazer, economia solidária e cidadania, qualificação profissional dando sustentabilidade à nossa comunidade, agregando cooperativismos e fomentado emprego e renda para todos".

O prédio contempla a comunidade e região, que tem cerca de 15 mil habitantes, conforme o Censo 2005 (IBGE).

DJ Taba acredita que essa experiência de ajuda pode transformar a vida de profissionais, que esperam justamente o sinal de que é a hora de colaborar. Muitos deles, inclusive, se formaram em universidades públicas e assumiram assim uma responsabilidade de transformação com a sociedade brasileira.
foto da rua 06 do bairro jd Vitoria.



Além da pintura, o prédio precisa também de concerto elétrico, decoração e tudo mais que pode fazer do lugar um espaço cidadão, bem lindo, no nível que essa juventude merece para dar uma resposta positiva a si mesma e ao país.

Tem muita coisa que pode ser feita no prédio, mas quem vai saber o melhor a doar são os que atuam na área da construção civil, da arquitetura, da decoração. “Precisamos também de computadores”, diz Taba.
Assista o vídeo.


Contatos:
(65)3641-3504/9602-1517 Dj Taba
(65)3023-1311/92185870 Ligia Viana
Email: favelativa.org@gmail.com / ligiafavelativa@gmail.com / djtabafavelativa@gmail.com

julho 06, 2009

PROJETO INVAÇÃO HIP HOP NO JD VITORIA


O projeto invasão HIP HOP apoiado pela Lei de Incentivo à Cultura de Cuiabá sobre a coordenação do produtor cultural Mano César, realizou neste ultimo domingo a quarta edição de 2009 no bairro Jd Vitória em pareceria com o Movimento Favelativa. O evento depois de passar por outros bairros da capital levando dança de rua, oficinas e shows, bairros estes como Coxipó, Pedra 90, Tijucal e Pedregal. No Jd Vitória o diferencial foi o Festival de Pipa e um campeonato de futebol de rua que contou com a participação da radio comunitária Vitória FM que divulgou todo o evento e transmitiu vivo pelas onda do radio em 95.1.


Passarão pelo palco do invasão grupos de musicas gospel, lambadão, samba e rap alem de Djs de estilos variados.
A procima edição será no bairro Dão Aquino.